arcos e capitéis, no páteo
levando os seios espetados
O Largo não passa.
Carrega ossos em suas tumbas
A menininha alerta:
- Mamãe... olha um palhaço! -
e sai correndo, feliz.
(Pensão da Zulmira - 20/07/1987
Da interminável e densa e intensa batalha entre memória e história, o que resta são palavras. Só palavras.
Serão eventualmente garimpadas nos escombros do futuro. Estão convidados, porém, a revirar hoje o blogue pelo avesso.










(img: cvm - den222A - 2003)






(imgart: cvm - augusto coelho -kelli )
Há um ano,
tantos meses, semanas, dias, horas
(essas bobagens do tempo)
você visitou meu quarto.
Eu era o viajante
o cavaleiro andante
de couraça de lata.
Você visitou meu quarto
perdi minha cama, meu copo
meu prato.
Embebedei-me em seu corpo
chorei em suas mãos,
adormeci exausto de sensualidade
partido em quatro.
Um ano, tanto faz,
tanta memória me atropela.
Partido em quatro
em meu quarto de vida
ficou-me a porta aberta.
Cordial, sempre
a visita de meus fantasmas,
um ano, foi agora
e na cicatriz aberta
seu olhar se desconcerta
enrolada num cobertor azul...
Hoje, agora
o tempo se descompassa
no despertador desconjuntado.
Renuente
observo o telefone e espero
(claro, esqueci o número...)
e tão perto eu lhe pressinto.
Daí fico, neste espaço tão outrora,
numa expectativa baça
em meu quarto agora feito
em pedaços.
(Pensão da Zulmira. 27/05/1987.)