3 de jan de 2011

ACHADOS PERDIDOS

Caio Martins
para Jeanne














(img-art: cvm - bonhan-carter )

Te amo...
Mas, não lutarás minhas batalhas
nem poderás, ensandecida e frágil
conhecer minha luz, minha loucura.

Te amo...
Dizes que não mais, enquanto espalhas
vestígios de teu riso inigualável
no pó de meus caminhos obscuros.

E no teu tecer de leves brilhos, insolúveis
fantasias e tontos dizeres de descrença
curiosa qual criança, vem, e te diria...

... te amo...
menos que posso
mais que deveria.






7 comentários:

  1. As poesias de Caio são mesclas de emoção, paixão e bem descritas.
    Mas esta surpreende pelo final.
    "... te amo...
    menos que posso
    mais que deveria."
    Então, eu calo.

    Abraço,
    Jorge

    ResponderExcluir
  2. MILTON MARTINS4/1/11 17:46

    Caio
    Cada poema melhor que o outro. Neste, eu pelo menos entendi que a mulher amada sempre reserva uma face insondável.
    Quanto à música "Fascinação" com Elis, é de arrepiar. Insubstituível. Parabéns. Milton Martins

    ResponderExcluir
  3. Aracéli4/1/11 20:24

    E´difícil escolher um entre tantos. Mas este, Caio, é um dos teus melhores poemas. Conciso, sem artifícios. Como quem confessa, como quem declara porque é inevitável.

    ResponderExcluir
  4. Caio, este poema é belíssimo. Arrisco dizer que, de todos os seus que já li, é o mais encantador...
    Justifico: "Achados Perdidos" é com certeza um poema elaborado com muito cuidado e trabalho, o que confere a ele uma construção poética fluida, com o uso de palavras simples e de fácil compreensão. E como é difícil falar a respeito da condição humana, dos conflitos, de nossos encontros e desencontros, da razão e da emoção, da constatação da realidade que vai de encontro aos desejos assim tão naturalmente!

    Parabéns!

    Beijos

    Márcia

    ResponderExcluir
  5. Jorge, grato por suas palavras, há em todo vínculo sempre sensações contraditórias desde o início. O temor da perda de identidade, improvável, nos limita, ao par do desejo de entrega "total", que inexiste.

    Milton,você é muito generoso,e a verdade é que todos reservamos essa face insondável. Elis... Como diz o Sader, melhor calar.

    Araceli,essa, a palavra: inevitável! A inconsciência é pródiga em firulas e artifícios, e a lucidez deles prescinde. Declaro, solenemente, que esse não é, definitivamente, poeminha para seduzir moça tonta...

    Márcia, é vero! A realidade raramente vai ao encontro dos desejos: normalmente tromba com eles. Quanto à "construção", sua orientação foi decisiva. Há que espelhar-se nos melhores.

    Forte abraço a todos.

    ResponderExcluir
  6. Encantada com este poema, Caio. É raro, cada dia mais raro encontrar versos de amor com tanta intensidade e originalidade. E a surpresa com a terceira estrofe em alexandrinos e, mais ainda, com o terceto final, primoroso, ele mesmo um alexandrino desdobrado.

    Já tens mais uma fã!

    Beijos

    ResponderExcluir
  7. Anga, grato por suas palavras, tão amáveis. Confesso não ter tido maior preocupação com a forma, dada a intensidade do conteúdo. Mas, o poema muitas vezes exige desenho próprio, lapidação estrutural exclusiva e requintada. Esse jamais existiria em outro formato. Vez por outra, acertamos.
    Abraços, volte sempre que a casa é sua.

    ResponderExcluir

Na busca da excelência aprende-se mais com os inimigos que com os amigos. Estes festejam todas nossas besteiras e involuímos. Aqueles, criticam até nossos melhores acertos e nos superamos.

Categorias, temas e títulos

Seguidores