6 de jan de 2015

ESPELHOS DE CAMARIM

Caio Martins
















(img: cvm - célia - 02/2001)

Trago fincados os cacos
da tristeza do que não fiz
das guerras que não travei
dos poemas que não escrevi
do vinho que não bebi
do tango que não dancei
na mulher que mais eu quis...


O mundo não dói, só rói
mansamente camuflado
como seu olhar suplicante
como seu olhar de louca
como o beijo de suas bocas
seus abraços delirantes
do jeito que eu sempre quis... 


Trago fincados os cacos
da tristeza que não me quis
e me olham, azuis assim,
teu olho esquerdo vulgívago
teu olho direito infeliz
multívagos estilhaços
de espelhos de camarim.

14 de dez de 2014

PERDIDOS

Caio Martins.















(img: cvm - Giulia - tela - 13/12/14)

 
Meu destino perdeu-se
como se extravoam
anjos e demônios bêbados
nas putas das esquinas;
perdeu-te
nas marés da tua pele
nos restos benevolentes
que me trouxeste das ruas...
perdeu-me
no teu olhar faminto
de fêmea em cio pungente
de água e ar e terra e frio:
proscritos e medievais
reinventamos antigo inferno
e tu, mulher, louca menina
te perdeste comigo...

23 de nov de 2014

PROFANOS

Caio Martins

 

















(img: cvm. Jaquie028-2002 - tela)


Não, não me perdoes
não me decifres, nem
adivinhes em tese
ou por força de ofício...

Vem só sóbria, nua
sem fim e sem início.
  
Jamais, meu amor
peças desculpas
ou que te entenda
subentenda ou profetize...

Vem só com o pudor
profano das meretrizes.

(São Caetano do Sul - 23/11/14)

15 de set de 2014

BRANCO E PRETO

Caio Martins.
 


















 (img: cvm - 2001 - lucienne P&B – tela)


Prefiro-te assim
parca foto em branco e preto
despida de fantasias
só montada em teus desejos.
Quando vens transida, nua
com teus caracóis e tuas tranças
tuas bocas sábias, tanto enleio
teu cheiro de mar,
teu gosto de frutas
a magia dos teus seios.
Quando te debruças
e me resvalas em silêncio
sem pudores, contida
e louca
premeditada
e inerme...
Quando vens
despida de roupas, jóias
tintas, supérfluos requintes
sem compromisso
senão com teus instintos.
Quando vens, inteira
matreira e articulada e voraz  
feito um bicho...
(São Caetano do Sul - 15/09/14)

6 de mai de 2014

MENINA TRISTE

Caio Martins














 


(img: nathalia - aquarela - P&B - 04/05/14)

Tens no teu olhar um desvanecimento
como se foras a névoa de outono
que lassa e tão perdida em abandono
dissesses, ao passar, de sofrimentos.
 

E segues só, dobrando tuas esquinas
enquanto ao derredor estrala a guerra
inclemente das ruas, que aterra
tantos sonhos perdidos de menina.

Quebrei-me desarvorado em tuas quinas
andarilho em vão, fugaz pó de terra 
que ao ter-te não percebeu os teus lamentos.


Perdidos no cansaço que extermina
tanto amor,  é quando então de rumo erra
tamanha paixão, teu cio e meu tormento.

scs - 04/05/14.


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