29 de jun de 2010

ROMANCE EM CIO MENOR


Caio Martins
Para Lua Celta de Assis.











(img: boris vallejo - erotic fantasy)

Dez horas da noite. Tristes
apitam fábricas em si menor...
Nos enroscamos aflitos
num banco de jardim.

Nosso amar é complicado.

Exigimos estrelas, luas, brisas
mas entre gases, pó, venenos
dá-se alucinado beijar.

Somos intensos, quase rudes
teu seio cabe em minha mão
tuas mãos, qualquer lugar.

Nada sabe esse beijar
deslizar impudico de mãos
da cidade que se infiltra.

Na penumbra do subúrbio
(céu escuro na face desta terra destroçada)
a sinfonia de sons confusos
dá ao nosso enredo
o fundo musical.

Preferiríamos Chopin, Lizst, Debussy, Bach...

Engolimos livros, músicas, poemas
assembléias, discursos, conferências
filmes, jornais, teatro, pinturas
porém os corpos frementes
se esmagam ansiosos
transgredindo pecados mortais
num reles banco de jardim...

Porém não, não te angusties!

Ainda assim não profanamos
o cio simples dos animais.

(cascs - 23/12/68 - sp - 29/06/10)

24 de jun de 2010

O MEU AMOR

Caio Martins
Para Jeanne D'Arc













(
img: moon goddess - josephine wall )


Meu amor, amor,
não tem fim
nem tem começo
não tem regra
não tem preço
não tem pressa
ou endereço...

Dirás, amor, que amar

é sempre eterno mar
que pusesse em tua boca
um gosto de sal, de sol
de mel, de maresia.

Que uivarias à Lua

nua, molhada, fugidia
predadora presa em agonia
aos teus infernos, pedindo
que te levassem ao fundo
tumulto de licores e venenos
a rasgar teu chão, teu mundo.

Ah!, meu amor, minha menina...

tão mais singelo seria
nesse amar tão só receios
só o mar, só o amar
lambendo tuas feridas
de tantas idas e vindas
enquanto descanso cicatrizes
de guerra entre teus seios...







19 de jun de 2010

BECOS


Caio Martins












(img: cvm - janaína/76-02)


Dos becos, em teus cabelos
das tuas sombras me fitas
vagos olhares, aflita
quem sabe ira, ou apelos.

Destinos tolos, sem grita
silêncios largos de zelos,
enrodilhados novelos
entre teias, contraditas.

Ah! teus olhos, tua boca
vincados e sem sorrisos
inexpressivos, sem ecos...

Quisera deixar-te louca
roubar-te beijos de avisos
e perder-me nos teus becos.

19/06/10 - SP.



5 de jun de 2010

O CARRO DE BOI


Caio Martins

Solicitamos, a quem reproduzir, que respeite a autoria. Encontramos, em alguns sites, plágios descarados deste livro. Não é ético, é imoral e criminoso. Nada a obstar às citações honestas, que mencionem autoria e fonte. Tudo a combater contra "vampiros" e "sanguessugas" que se aproveitam do trabalho alheio. Esta é uma causa de todo escritor honesto e leitor consciente.

1. O carro

Tem carro de boi, e tem carreta. Carreta, ou carroção, tem roda raiada e é muda, não canta. Carro de boi tem roda inteira, e canta para se ouvir de léguas, seja gaita, pombo ou baixão . É coisa de sertanejo, é uma saudade doída de um tempo onde se ia devagar, mas havia mais tempo para ver e entender as coisas. Saber de carro de boi, é mexer com magia, é entender a alma da madeira e do ferro, da terra e do fogo, da água e do ar... [...]

(img: capa -1ª edição- 1997 - esgotada)


Veja matéria completa em http://caiovmartins.blogspot.com/p/o-carro-de-boi.html

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