26 de jul de 2012

METAMÓRPHOSIS

Caio Martins










(img: paola en el sofá - fabian pérez)
 


Não, não canso de olhar-te nua
imortal, etereal, imprecisa
perfeição de cinzas inconcisas  
na semiluz a espiar da rua.

Imóvel, pulsa em minha palma
teu seio e em minha pele
teu calor e cheiro e calma
de mulher que se resvala...

Como ficas linda e sem nome
quando após a posse, em ulo,
desabas, já nada te consome...  

Deixo-te dormir infinda e quieta
enroscada em mim feito em casulo
antes que te faças borboleta...

(scs - 26/07/12)

6 comentários:

  1. Maravilha, Caio! O que me chama a atenção, além do conteúdo, é o apuro das palavras. O poema é de uma sensualidade e sensibilidade que comove.
    Bravo!

    Beijos

    Márcia

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  2. Quanta gentileza, Márcia... Tais palavras, vindas de poetisa de seu talento, são uma honra! É soneto de "pés quebrados": sacrifiquei a forma em aras da concepção e das melhores palavras para cada momento. Fosse, todavia, para escrevê-lo na pobreza a que se reduz o idioma dramaticamente dia a dia, o teria feito em gíria da periferia - objeto que domino (ver "Fuzuê").
    Agradeço muito o incentivo com que me brinda e trato, como posso, de corresponder à sua maestria. Beijos.

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  3. belos versos parabens

    se possível, visite meu blog

    www.semente-terra.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Grato pela visita, Robson. Dei uma espiada, e recomendo como boa leitura! Abração.

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  4. Não entendi você julgar um soneto de "pés quebrados", Caio.
    Tem uma linguagem sensível, muito bem colocada e de vulgar, comum, o soneto não tem nada.
    Experimente declamar, se é que você já não o fez.

    Abraço,
    Jorge

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  5. Olá Caio,

    Veja só que magia encontro por aqui.
    se não divulgas no face, fico sem saber
    vez que minha andança no instante as
    voltas feito em buraco ao chão,
    tamanho pensamento estendido sem os idos
    pela blogosfera a que estou em falta aos,
    amigos, senão apenas meus poemas em fases
    de minhas deixas.
    Deliciosos e profundos poemas,
    tatuagem de alma que tosse e expulsa as
    dobraduras, onde esconde os mais belos
    sentimentos, proferido pelo íntimo.

    Parabéns.
    Virar do avesso, leva um tempo
    poemas como esses tem que ser lido,
    sentido, com olhos de quem ouve
    canções sem as te-las aos ouvidos...

    Um abraço

    Livinha

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Na busca da excelência aprende-se mais com os inimigos que com os amigos. Estes festejam todas nossas besteiras e involuímos. Aqueles, criticam até nossos melhores acertos e nos superamos.

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