26 de nov de 2011

SILÊNCIOS

Caio Martins

Para Jeanne.
















(img: cvm.kidman - aquarela 2011)


Te amo...

A memória, faca
laica
- insaciável, transitória -
quebra seus pertences
sem contar com glórias.

Fecha seus claustros

- insondáveis pergaminhos -
e cala
a trajetória tensa do sentir
árdua, impenetrável bala.

Contemplo teu olhar
- inquietante arquitetura -
e me diluo aos segundos
de cada século
em que perduras...

A memória insiste
- indecifrável sintonia -
e cala.
Não há tempo, lugar,
nem sinfonias...

Nas luzes de prenúncios
- inda que desande o caos -
te calas...
Sabes que te amarei
ao som de teus silêncios...


10 comentários:

  1. Há sempre um amor desse jeito
    no peito de um sonhador.
    Um abraço

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  2. Caio, sinto que você se supera a cada novo poema. "Silêncios" aperta o peito tamanha a intensidade dos sentimentos nele contidos. É perfeito na forma e no conteúdo - o uso dos travessões imprime ainda mais força a cada estrofe. Belíssimo diálogo interno!
    Parabéns e obrigada pela partilha!

    Beijos

    Márcia

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  3. Guaraciaba, grato por suas palavras. Amor é bicho sabido, não pede licença pra se aninhar. Depois, há que cuidá-lo. Abração.

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  4. Márcia, não importando obstáculos, o amor é sempre um desafio. E as emoções, muitas vezes, saltam e se impõem. Numa leitura transversa, há outro poema no poema, o dos travessões.
    Fico feliz que tenha gostado, sua opinião é muito importante para mim. Beijos.

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  5. Que ninguém pense ser o silêncio omissão. Ele fala alto, grita berra, agride e sofre.
    Daí o poeta promete amar quem cala.
    Abraço forte, mestre Caio.

    Jorge

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  6. Grande Jorge, é exatamente por aí... É sempre um caos desordenado, o amor de um poeta. Abração, Mestre Escriba!

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  7. Belo poema
    com alma ...

    Um beijo

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  8. Ellen, grato por sua visita e por seu comentário. Às vezes, a Musa cala... há que saber esperar, e viver o seu silêncio.

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  9. Caio, nada pode ser tão grandioso quanto a este sentimento chamado AMOR, e você, tão bem aqui o descreve dizendo livremente , afinal sonhar com o Amor, é pertinente tortura sem que seja loucura!
    PARABÉNS
    Efigênia Coutinho

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  10. Grato, Efigênia! O amor - ao contrário da paixão - nada exige. É por si mesmo. "... quem ama, ama, simplesmente... só isso!" (Gofredo S. Telles).

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Na busca da excelência aprende-se mais com os inimigos que com os amigos. Estes festejam todas nossas besteiras e involuímos. Aqueles, criticam até nossos melhores acertos e nos superamos.

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