23 de mar de 2014

Trânsfugas

Caio Martins 
















(img: - cvm - jakie/71)

Te vais de mim
assim mansamente
como um sopro, um
frágil suspiro...

Me deixas na pele
trilhas imprecisas
em meus olhos tua voz
a dizer que me amas.

Por tudo teu cheiro
na boca teu gosto
na cama a calcinha
na mente o caos.

E te esvais de mim...
Eu deveria morrer de desgosto!

Mas, amor, vens e teu poeta
trânsfuga irreparável
dentre tantas Musas vadias
abre porta, braços, geladeira...

Somos depois, enfim,
- entre uma cerveja vulgar
e prosaicas batatas fritas -
o mesmo verso tosco
a mesma torpe poesia.

8 comentários:

  1. Mas acontece mesmo e somos completamente incapazes de resolver bem este problema.
    Abraço.
    Jorge

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    1. Jorge, se a paixão é serena e intranscendente, está tudo resolvido. Se intempestiva, acaba virando letra de bolero ou tango... ou termina no noticiário policial. Forte abraço!

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  2. Caio, acho que foi a Clarice Lispector que disse que "viver ultrapassa qualquer entendimento". Eu acrescentaria que amar também.
    Gostaria de revê-lo. Na paz.
    Jane.

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  3. Foi a Clarice, sim. A chave do poema é essa: quem ama aceita como é sem explicações, não destrói e não prende, mas, liberta.
    Haverá oportunidade. Sigo em São Caetano, me encontrará via Jornal ABC Repórter. Abraços.


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  4. Explicar o sentir é algo complicado, ou melhor, quase impossível. A poesia possibilita, encoraja, liberta, assim como o amor...
    Belo poema, Caio!

    Beijos

    Márcia

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  5. Grato, Márcia Sanchez Luz! Sinto-me honrado. Um poeta menor sempre se rejubila com o incentivo de um Poeta Maior, como você.
    Beijos.

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  6. Tem um quê de realidade misturado à poesia que impacta a leitura. E traz a sensação final de que no amor se é sozinho! É como se recomeçasse sempre - abre porta, braços, geladeira...

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    1. É vero... e a desfrutar de coisas singelas como cerveja e batatinha frita... Grato pela visita, Maria Coelho.

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Na busca da excelência aprende-se mais com os inimigos que com os amigos. Estes festejam todas nossas besteiras e involuímos. Aqueles, criticam até nossos melhores acertos e nos superamos.

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