6 de nov de 2013

Resquícios

Caio Martins
















(img: cvm - anne67 - 2001) 

Quando eu me for, não lamentes...
Por favor, não chores!

Terás, de meu acidioso ofício
de insanas batalhas contra o Tempo
versos, montes de palavras vadias
fotos de flores, velharias, resquícios
do que se foi, e não se saberá.

Caberá, se um dia amante
relendo antigas poesias,
entrever tantas mulheres comungadas
em profanos rituais e sacrifícios
cujos segredos jamais se saberá.

Mas, amor, se me tens assim, já ido
mesmo que brandindo, patético
espadas e bandeiras em combates
inúteis, não lamentes, nem chores:
de teu amor, tudo se enuncia.

Saberás, só tu, que a nada me neguei
invocando os mistérios de teu riso
de tanto que te amei, um dia...

(scs-06nov13-p/j. d'arc) 

10 comentários:

  1. Vão-se as bandeiras recolhidas, as batalhas se perdem no pó, ficam tênues lembranças do amor enquanto a memória existir, mas ficam as poesias que tudo podem descrever e emocionar.

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    1. Bom encontro por estes fins de madrugada, Milton! Exato, ficam as palavras vadias... Forte abraço, meu amigo!

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  2. Caio, compreendo que seja experimentado escrevendo, tanto prosa, como verso. O que não posso, e depois de uma 'tijolada' desta, manifestar minha opinião. Sei no momento que é poesia maior. Nada mais.
    Abraço.
    Jorge

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  3. Meu amigo, esse aconteceu como um infarto... Também me pegou no pulo! Ia escrever um poeminha bobo, desses de pegar moça tonta, e saiu a "tijolada" acima. Forte abraço, marujo! Tem ainda muito mar - e tanto amar - pela frente...

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  4. Caio, que tu és lindo por dentro, eu já sei há muito tempo. Mas o susto que me deste agora é que és lindo também por fora.

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    1. Grato, Isabel! Você é pessoa das mais autênticas, uma honra e grande orgulho de tê-la como amiga, parceiros que fomos no saudoso VoteBrasil. Acompanho seu site e seu trabalho com atenção, e os recomendo a todos:
      http://www.isabelvasconcellos.com.br/ . Beijos!

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  5. Olá, Caio, certos tipos de poesia não requerem nenhum comentário,estragaria! O que poderia eu dizer dessa?
    Linda: lida e relida...E cada vez mais bela, mais tocante.
    Abraço.

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    1. Obrigado por sua gentileza, Taís! Quem acompanha seus textos, em seu blogue, sabe que não usa palavras vãs. Também o recomendo a todos! Abraços!

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  6. "...de teu amor, tudo se enuncia.

    Saberás, só tu, que a nada me neguei
    invocando os mistérios de teu riso
    de tanto que te amei, um dia...


    O que dizer de tão tocantes e lindos versos como estes acima? Só posso aplaudir, mesmo que tenha vontade de chorar...

    Beijos

    Márcia

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    1. Grato, Márcia! Há, no amor, a exigência da alegria. Se te faço rir, e ris comigo, o laço não é lasso, mesmo que eventualmente te possa fazer chorar. Bjs.

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Na busca da excelência aprende-se mais com os inimigos que com os amigos. Estes festejam todas nossas besteiras e involuímos. Aqueles, criticam até nossos melhores acertos e nos superamos.

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