14 de mai de 2013

Garcia Lorca

Caio Martins
Para Márcia TQM.

 


Escolheu-te ofício áspero, ingrato
de destilar em versos tantos fatos
e dar-te em vez de sóis ou luz de lua
o horizonte escuro, ao rés das ruas.

Te acompanharam sempre os libertários,
as putas com a escória, incendiários.
Por cantares no amor, os seus amores
verteram o teu  sangue, os ditadores.

Espanha cinza de Garcia Lorca!
Longe de tuas guitarras, vinho e dança
tirou-te a vida, a bala, em fúria torta!

Partiste sem grinaldas, excelências,
qual criança de encontro com a morte
restando do teu sangue a tua ausência.

12 comentários:

  1. Bravo!! Um belíssimo soneto!! Trágico e intenso como a vida de Garcia Lorca. Só me resta aplaudir. A imagem de Carlos Saura parece ter sido feita para este soneto.
    Grata pela partilha.

    Beijos

    Márcia

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    1. Garcia Lorca é um dos poetas que mais valorizo e a foto, de "Flamenco-Flamenco" com a bailarina Sara Baras, é espetacular. Todavia, não é material de consumo. Eu que lhe agradeço a atenção e generosidade, Márcia. Há que aprender com os melhores, no que você se destaca. Beijos!


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  2. Caio
    Você se refere a Flamenco-Flamenco como não material de consumo. Nem mesmo Garcia Lorca me parece que seja, meu amigo. Eu mesmo me deparo com essas "angústias" - escrever sobre temas de não consumo - mas, tanto quanto igual a você insisto e os atiro nos rumos do "éter. Quem sabe alguém aproveite ainda que seja alguma única linhas. Quanto ao poema, gostei muito. Abraço. Milton Martins.

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    1. É por aí, meu caro amigo... Vivemos momentos de tão impregnada mediocridade que só há dois caminhos: persistir no combate, por mais aprendizes que sejamos e contar com que alguns lerão algumas linhas, ou desistir e festejar a estupidez humana como paradigma de excelência... Não é e nunca foi, definitivamente, sua praia. Nem a minha! Grato por suas palavras. Abração.

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  3. Leio esse poema hoje, dia em que morreu o Videla. Foi-se também sem grinaldas e excelências.
    Mas é o contrário de um Lorca: viveu matando. Que opostos mais impressionantes.
    Lindo o que você escreveu - verdadeiro, saído da alma. Um presente para quem lê.

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    1. Exatamente, Aracéli... Mas, se servir de consolo, o nome bem lembrado não será o dos tiranos e assassinos. Lorca, em toda sua complexidade tornou-se, mais que um símbolo de resistência ao arbítrio, numa lenda que se perpetua no reconhecimento universal de sua vida e obra. Que bom, que tenha gostado! Beijos, maninha!

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  4. Lindo lindo lindo!!! A minha primeira leitura no domingo!!! Show!!!

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    1. Obrigado, Mestre Juliano. Todo meu carinho com Joinville, terra de gente boa! Forte abraço.

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  5. O povo espanhol guarda dentro de si um vermelho tinto de sangue. Seus mais expressivos artistas provam isso.
    Muito bonito, Caio!
    Meu abraço.
    Jorge

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    1. Disse, o Guimarães Rosa, que "quem mói no aspro, não fantaseia"... Além de Guernica e do assassinato de Lorca, de fato correu sangue na Espanha, sob o fascismo. Amo essa terra, meu amigo! Provavelmente por lá vivi, em outra encarnação... Forte abraço, me'rmão!

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  6. Respostas
    1. Grato, Lisette! Muito me alegra sua visita!

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Na busca da excelência aprende-se mais com os inimigos que com os amigos. Estes festejam todas nossas besteiras e involuímos. Aqueles, criticam até nossos melhores acertos e nos superamos.

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