22 de fev de 2013

Flor precária

Caio Martins
Para Márcia Sanchez e Luiz de Miranda.
 















(Valkyrie's Vigil by Edward Robert Hughes) 


Quando, feroz e imortal, rugia
aços massacrados em fúria
de combates porventura confessáveis
amores me foram prêmio fugidio.

E  se aqui, a amar insisto e persevero
às valquírias - caprichosas no refrange
dos que vão morrer em batalha -
é que sei do gosto de meu sangue...

De solertes inimigos depredados
o tive farto, nas lanças mercenárias  
e renuir a batalhas de salvar o gado

leva a verve a sendeiros protelados...
Por um só amor cala-se a espada
à Poesia, flor inatingível por precária.


14 comentários:

  1. Caio
    Poesia muito bonita, bem estruturada. Abraço. Milton Martins

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    1. Grato, meu querido amigo! É, na realidade, um soneto que não deu certo na forma, e complexo no conteúdo. Forte abraço.

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  2. o amor brilha mais que o lúmen da espadas.

    beijos

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    1. Assim pressinto, Ana. Mas, quem tanto lidou com a segunda, só tem - de seu - a frágil e volúvel Poesia para roçar o primeiro. Beijos.

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  3. Gostei muito. Parabéns. Creio eu, que poetas não se intimidam em mostra seu interior. Beijos.

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    1. Grato, Dulcinea. Função maior, porém, é mostrar a prevalência do que é universal, como lutar, amar... Beijos, minha querida amiga!

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  4. O tempo passa e as batalhas são outras, assim como as armas usadas. O resultado, porém, pode ser o mesmo, ainda que seja através da Poesia, que de frágil não tem nada... Maravilha de viagem ao tempo, lindeza de poema, Caio!
    Agradeço pela dedicatória, que em muito me honra!

    Beijos

    Márcia

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    1. É vero, Márcia... o metafórico define o essencial, e a Poesia neste se (con)centra.
      A dedicação é pelo reconhecimento, afeto e respeito que tenho por você e o Luiz. Cada um, a seu modo, definem universos da literatura brasileira. Beijos.

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  5. Geralmente os prosadores não são bons poetas. Mas isto não é regra. Prova o Caio, neste 'soneto tentado'.
    Abraço,
    Jorge

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    1. Escrever, Mestre Jorge, é no fim tudo igual... você passa adiante um fato, sentimento, pensamento ou, enfim, qualquer coisa que incomoda e pede espaço para se realizar. Mal importa a forma... o que vale é o conteúdo. Forte abraço.

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  6. A poesia agradece.
    E o coração com jeito poético de ser, tem a audição aguçada
    Para ouvir o que o mestre tanto mais poético tem a dizer...
    E sempre tem pérolas e graça.
    Casciano Lopes.

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    1. Casciano, a Poesia, como as Musas, são imprevisíveis e caprichosas, temperamentais e indomáveis... Há, vez por outra, que tentar seduzi-las com força retórica, protegidos na armadura dum soneto. Mesmo que derrotados, nos acolherão ao colo e secarão eventuais lamúrias.
      Grato por suas palavras, que muito me honram.

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  7. Caio, excelente soneto, boas escolhas lexicais e de um um nível metafórico exuberante! Caio-me a teus pés.

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  8. Cícero, renunciar ao vocabulário apenas pela aceitação da moda ou da maioria é, ademais de mediocridade crassa, renunciar à riqueza do idioma. A expressão, da gíria mais novedosa ao mais erudito vocábulo, não pode ater-se ao básico e, menos ainda, nivelar-se - assim - por baixo.
    O idioma faz a identidade de um povo. Povo sem identidade, é povo sem liberdade por não mais ter memória e, por isso, história. Forte abraço.

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Na busca da excelência aprende-se mais com os inimigos que com os amigos. Estes festejam todas nossas besteiras e involuímos. Aqueles, criticam até nossos melhores acertos e nos superamos.

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