16 de dez de 2013

Verão

Caio Martins













(foto:cvm - orquídeas - dez.2013)

As flores vadias das ruas
enciumadas
espiam as moças que passam
seminuas
vestidas de verão...

26 de nov de 2013

Não olhes assim

Caio Martins
















(img: d. richards- tv - 2013 - tela)

Sei dos teus caprichos
marcas, cicatrizes e feitiços
paixão e ira em solstícios
além de qualquer previsão.

Sei de teus amores e sumiços
pendores e calores e odores
ódios e desejos e clamores
riscando o universo de giz.

Não inventei tua beleza
nem és assim por que eu quis
e se me perdi em teus nichos
não é o amor que se desfaz.

O tempo é que é curto e que surta
e encurta e furta a leveza, mas
não me olhes assim, feito bicho!

6 de nov de 2013

Resquícios

Caio Martins
















(img: cvm - anne67 - 2001) 

Quando eu me for, não lamentes...
Por favor, não chores!

Terás, de meu acidioso ofício
de insanas batalhas contra o Tempo
versos, montes de palavras vadias
fotos de flores, velharias, resquícios
do que se foi, e não se saberá.

Caberá, se um dia amante
relendo antigas poesias,
entrever tantas mulheres comungadas
em profanos rituais e sacrifícios
cujos segredos jamais se saberá.

Mas, amor, se me tens assim, já ido
mesmo que brandindo, patético
espadas e bandeiras em combates
inúteis, não lamentes, nem chores:
de teu amor, tudo se enuncia.

Saberás, só tu, que a nada me neguei
invocando os mistérios de teu riso
de tanto que te amei, um dia...

(scs-06nov13-p/j. d'arc) 

9 de jul de 2013

Deusa caída

Caio Martins.

Na caminhada pela praia percebera de súbito, naquele fim de tarde de lua a leste e sol sumindo no outro lado, que não mais a olhavam como antigamente. Incômodo espinhoso, o “insight”. Os homens sem distinção devassavam, babados, as ninfas arrogantes e protusas exalando feromônios, como fora um dia. As odiara intensamente no ato, em fúria primitiva quase insuportável. Se descompôs sem méritos. No quarto olhou-se minuciosamente ao espelho sob todos os ângulos possíveis da vã geometria. Achou-se decadente. Velha... Chorou miudinho por um tempo, desamparada na vasta cama vazia. De madrugadinha, veio a fome do pós-pranto. Ao menos estava viva, sentiu.

Assaltou a geladeira; pedaços da pizza de tomate seco, anchovas e uns queijos raros, coisas do amigo da tarde anterior. Vinho. Do balcão do apartamento no oitavo andar via-se o mar enluarado, ao longe, e a avenida vazia abaixo. Dos morros acima pareceu-lhe ouvir tiros. Não mais queria chorar e mastigou automaticamente. O vinho, todavia, recebeu solene ritual. Cheirou, saboreou devagar e então o aceitou, achou conforme. Vagava no tempo e memórias, histórias e acontecimentos. Sempre fora sedutora, desde menina. Exercera o ofício sem pressa, armando o jogo ancestral em minúcias, manipulando assombrosos poderes decorrentes como direitos absolutos e intemporais, próprios mais de divindades, não de meros mortais. Gostava quando homens e até mulheres chegavam batidos, afásicos, capazes de quaisquer loucuras para ao menos roçá-la. Fazia tempo... Seguiu olhando a imagem nua no espelho. Não estava feia, mas cadê seios espetados, bunda empinada, pernas esculturais, ventre plano e os grandes olhos verdes hipnóticos? A boca perfeita pedindo beijo? As mãos relicárias... rugas...

Viu-se no reverso do tempo e descobriu que havia tempos que assim ocorria preguiçosamente. Entre um gole de vinho e uma mordida na pizza emborrachada, convenceu-se de que não mais era deusa, que se lhe acabara o prazo e extinguia-se o império. De fato, a maldade do tempo a prostrara; a pele não era mais tersa, engordara e, horror, usava óculos. Pela primeira vez assaltou-a, frenético, pungente sentido de urgência e de morte. Porém, de barriga cheia e levemente etílica, não se confundiu.  “ - Então era assim? Muito bem! Seria assim!”. Ligou ao amigo perto das quatro. Demorou a ser atendida. Sorria ao riso sonolento do outro lado. Disse não ser doida, mas carente, não ser promíscua, mas afoita e que ele tinha a obrigação de zelar pelo seu status, bem estar; que se danasse a reputação... Imaginava que ele já se vestia, que estava no carro, que tocava o botão da portaria e entrava com o celular ao ouvido, como era de costume. Que ia à geladeira, pegava o que restara da pizza -  reclamando que não lhe deixara nada - servia-se de vinho e, esparramando-se no sofá, a convidava a acompanhar, sempre ao telefone.

Mas só perguntou-lhe, terno e quase dormido, se queria que fosse lá. Ela, do balcão, disse-lhe que não, pois queria pular lá embaixo. Ele engasgou, incrédulo:

- Como é que é?
- Quero pular lá embaixo!

E pulou...                 

(scs-09/07/13)

14 de mai de 2013

Garcia Lorca

Caio Martins
Para Márcia TQM.

 


Escolheu-te ofício áspero, ingrato
de destilar em versos tantos fatos
e dar-te em vez de sóis ou luz de lua
o horizonte escuro, ao rés das ruas.

Te acompanharam sempre os libertários,
as putas com a escória, incendiários.
Por cantares no amor, os seus amores
verteram o teu  sangue, os ditadores.

Espanha cinza de Garcia Lorca!
Longe de tuas guitarras, vinho e dança
tirou-te a vida, a bala, em fúria torta!

Partiste sem grinaldas, excelências,
qual criança de encontro com a morte
restando do teu sangue a tua ausência.

10 de mai de 2013

Acalanto

Caio Martins
















(img: night - inga nielsen)


Encontrei-te, mulher,
tensa e pretensa e perdida
sem bilhete de volta, diluída
no tapete feroz das ruas
passeios, avenidas...

Comoveu-me teu olhar
de susto, como fosses nua
teu tremor de frio, uma
expressão crua
como que ante um massacre...
Comoveu-me tua beleza
gasta, de menina acre
em bordéis intangíveis
puxados sem pudor onde a fúria
dos homens desatina.

Abriria, não fosse o cansaço
de tantas guerras, incúrias,
braços gentis num abraço
e choraria teu pranto, pronto
cúmplice tonto,  aos pedaços.
Mas,  sem (a)deus te foste
tragada pela multidão faminta
e o mercado e o circo e a feira
- ávidos de fel e restos e mortalhas -
me restaram sem bandeiras. 


A noite, em espanto cinza
(o Sol, covarde,  ocultou-se!)
ruiu ao teu ir de desencanto
e mudo, sorumbático, ranzinza
fui beber um acalento.

Soturno poeta do efêmero
travou-se, seco, meu verso.
No bar, morreu meu canto. 

(scsul - 10/05/13)
 


24 de abr de 2013

Vertentes

Caio Martins















imgart: cvm - kate beckinsale - tv - abril 2013).


Mesmo que vás
ou eu claudique
- descompasso
de caóticas vertentes -
não te deixarei, renuente
do que amo, tentes ver...

Quimeras vãs, sussurros
clandestinos delirantes

não perfazem tessituras
do que não foi, senão amor,
coisa vã e desvarios
de frágil mente amante...


Se fores luz
serei tua sombra
se pele
serei teu beijo...
Mas, a dor do não ter-te,
não é menor à de perder-te.

Amar... vertentes...

Tentes ver
que a mente amante
mente...

2 de abr de 2013

O desastre

Caio Martins

Virou-lhe a vida de cabeça para qualquer lado, em órbita incerta e despropositada. Ela chegara com jeito de nem ser ou estar, descuidado e proposital, ingênuo e premeditado. Enfim: nada ficara no lugar. Não adiantam manhas e lamentações, no amor e na guerra, após os fatos consumados. Deixara... Não por incauto, menos ainda por safado, mais por curiosidade inquietante sobre a mulher que  lhe entrara na pele como se fora tatuagem clandestina. Pretendia conhecê-las, às mulheres, eterno fascínio de uma trajetória tumultuada não apenas por amores, mas, ódios e rancores, cenas de “- Vou te matar!” ou “- Graças a deus que existes!” intercalando-se, desde a primeva paixão pelas pernas de uma amiga da tribo...

Verão cáustico, ele mal saído da casca do ovo e viera, a talzinha, tagarelar e refrescar-se na cozinha da mãe, entre os mágicos tijolões vermelhos do piso e o enigmático forro de ripas cruzadas. Levantara a saia florida até dois terços da marmoreada coxa para ventilar-se. Fascinara-se pelas pernas morenas. Chegara de mansinho e passara a pueril mãozinha na coxa macia e terna e lisa, os olhos grudados nos da dona. Ia e voltava, a infantil mãozinha, a morenice da vítima acalorando-se em rubores e espanto, surpresa e danação... A mãe era sábia. Fizera não ver, encerrara rápida a tertúlia, a outra se fora e nunca mais se tocara no assunto. Contudo, a imagem e a textura, a calidez e maciez daquelas coxas morenas o acompanharam de por vida.  
 
Áspero executivo de “TI” vezado em árduos, porém doces combates, excepcionais vitórias e acachapantes derrotas no trato com a misteriosa e diáfana essência feminina, ternamente sedutor e raramente convergente, mantinha-se, heroico, incólume nos seus bastiões e fortalezas, crivadas de cercos táticos e estratégicos, todavia sempre alerta a ataques e invasões. Diziam dele, as moçoilas requestadas, ser gentil e cavalheiro, habilidoso nos ofícios dentre lençóis e generoso nas dádivas materiais. No extremo elíptico do caso das coxas, estava essa última paixão violenta e fustigante cujos alarmantes efeitos colaterais perduraram, após o catastrófico final, alguns anos. Bastou-lhe, um dia, lendo e-mail contendo na essência uma declaração de guerra (“Quem é essa bruaca que vive lhe deixando mensagens pela rede, hein?”) e caiu-se de ardores pela remetente.

Assim, naquele calorão demoníaco de solstício austral carioca quando a viu, intimorata, entrar por sua porta num florido e translúcido vestido “maria-mijona” clássico e sandalinhas de tiras, mais nada, jogar a bolsa de juta trançada no seu sofá e sentar-se sem cerimônias à sua mesa, de início, pasmou... Abestalhou-se indefectivelmente ao ela prender negros cabelos num vertiginoso e hábil coque espetando uma caneta para ancorá-lo ( - Que lindo pescoço, ombros!...), momento em que rematou-se-lhe o desastre: abanando-se com uma revista, recolhera o vestido e jamais, naquele moderníssimo antro de práticas insondáveis, viram-se tão lindas coxas morenas originais... Veio, feito cachorro pidão, aos seus pés e repetiu, patético, a ancestral  cena atávica, desta vez sem a inoportuna intervenção materna.

O excedente, como o vestido maria-mijona escorregando como que com vida própria e as inevitáveis consequências, ficam pudorosamente ao bel-prazer  de cada qual. Houve, naquele verão tórrido, tantas quedas de barreiras e inundações e enchentes que, uma a mais, uma a menos, não fez diferença. O bicho pegou catastrófico e a valer, quando ela (deixando nota às suas queixas angustiadas da calamidade que causara dizendo que “... quanto ao estrago, até que não te fez mal, vai!”)  se foi à revelia para New York no outono, tingida de loira, “vestida para matar” e com um gringo desmilinguido, romântico insurrecto contra Wall Street, Bill Gates e “fast food”...

(img: brocato ocre - fábian pérez ) 



21 de mar de 2013

Não chora

Caio Martins

Para Jeanne




 












(img.art:cvm - elizabeth 3/2013/contraluz/aquarela)

Não chora, minha menina, o frio espelho
não vai te delatar nem por um triz
ao revelar teus olhos, teu nariz
constritos e culpados, já vermelhos.

Se te faço rir, se triste, perdoa!
As palavras nada dizem, teu riso
(enquanto em meio delas se revoa)
espalha borboletas sem juízo...

Diz que aceitas o aconchego do abraço
que leve, mais sutil do que safado
te faz rir das ciladas que te faço.

E se, farta de riso, eu já calado,
quiseres surpreender o teu palhaço
bastará que me tenhas sem cuidado.


16 de mar de 2013

Musas

Caio Martins














(img. arte: cvm - elizabeth-2013)


Ah, poeta...
que cenáculo arbitrário escolhem
as Musas
para servir-te ao jantar.
Tens, cibernético e alhures
de escrevinhar a sangue
o mundo que te engole,
expele e reclama e recolhe
até que o tritures,
telúrico moinho inexistencial...

Ah, Musas!
De seus dias em frangalhos, ao poeta
perdoai-lhe
o azedume, a palavra amarga,
o verso troncho e ranzinza
o sentir de impertinência...
Bailareis, eu sei, no templo
espalhando suas cinzas...

Mas tu, Musa tardia, vestal 
irresponsável, fugidia
de meus amores vadios:
me salvas lépida dos festins
de tuas irmãs, eterno cio...

- Que coragem louca e vã...

Divagais, todas, docemente
selvagens, dentre os dentes
de minhas engrenagens...

5 de mar de 2013

Cortesãs

Caio Martins















(imgart: cvm - kunstlerintv)   


Quando eu não quis morrer, Ela
chegou-se mansa e doce e bela
a perguntar “... e, se se despisse?”...

Arcano das lides e tolices
das (e)ternas prostitutas das ruas
desfrutei-a plena e louca e nua.

Tanto brincamos, vezes tantas
a violar lugares (con)sagrados
bares, templos, gramas, cantos
até partir, tonta de pecados.

Paguei seu preço não pelos ardores,
mas, para que se fora. A Morte
cedeu ao me eximir de seus  favores
emprestando-me à Vida e sua corte.

1 de mar de 2013

Vinte dias...


Caio Martins

O bar era mais uma das infinitas arapucas da moda, barulho exasperante de roqueiros alucinados e todo mundo gritando sem se ouvir, menos ainda, entender. Comida aceitável, a menos que se quisesse, por impertinência, um vinho especialmente honesto. Não era mais menina, menos ainda criança, como as amigas também não. Porém, ao contrário delas, não estava à caça, queria só rir e dançar, extravasar o cansaço e o tédio de uma semana endemoniada, evitar a tristeza pungente dos fins de semana solitários a que o divórcio e o trabalho a reduziam.

Foi quando o viu. Belo homem, o dono do local e alfa da alcateia. Ali, por trás de tantos sorrisos concupiscentes, uivava-se como lobos no cio.

 Irritou-se. Conhecia suas fraquezas e, ao não atender os alertas de perigo, ilusões e sonhos irracionais e hormônios agitados levaram-na ao sujeito errado, algumas vezes. A estupidez da situação é que não sabia qual seria o certo. Bela, que fora e era, fixava-se na estampa, nas exteriorizações testosterônicas e maneios, mesmo os triviais, naturalmente utilizados para comer moça tonta de graça. Encolhera-se, no dia, desapercebendo-se.

Contudo, fim de semana seguinte, viera armada à guerra. Do último fio de cabelo às unhas dos pés, do traje vermelho decotado - e sabia ter lindos seios - à gargantilha negra, do batom combinando com os sapatos ao minúsculo relógio mecânico, enfim, em todos os detalhes, produzira-se para a batalha. E, o sujeito veio. Tratou-o bem, mas distante. A arte da sedução, supunha, era fazer-se desinteressada, de difícil, flertar (meu Deus, que palavra vetusta!) dissimulada e saber, no momento certo e com a magia certa, entremostrar-se sutilmente. Ah, benditos decotes, saias generosas, olhares e sorrisos dúbios sob um ar blasé, displicente...

Negara-lhe seguidamente, veemente mas num tácito talvez, telefone e endereço, falara de banalidades e generalidades por algum tempo... com as amigas, comentava os fatos como reles adolescente apaixonada, sem esquecer os irritantes gritinhos e risinhos nervosos. Outras vezes tantas, negara-se a sair com o pavão... Até que, após um fim de semana quase perfeito, feito de promessas, juras, enfim, o besteirol todo do cardápio de cantadas ao pé do ouvido, cedera. Daria para o alfa. Comemorara com as amigas excitadas e a palavra mais ouvida foi “casamento", mantra mágico no universo feminino.  

Não deu. Vinte dias após verifica que o sujeito é, novamente, o errado, ao ser dispensada até com certa dureza (outro rabo de saia, por certo) e não querendo, o energúmeno, sequer ser seu amigo - súplica final das rejeitadas. Roda a baiana, da classe sempre presente e sua característica principal, sai-se com um barraqueiro “ - Vai te catar, mané! Filho da puta bundão!” - para salvar, perdidas as aparências, ao menos a dignidade e o amor próprio feito trapos.  

E os salva. Em que pese o pranto, a raiva da estupidez hormonal, a sensação amarga de usada (mesmo que por culpa própria), do peso dramático de solidão, levanta-se no dia seguinte com uma leve sensação de liberdade. Vê-se ao espelho: está horrorosa, olhos inchados, desgrenhada e tendo ainda, a escarnecer de sua auto-estima, baita marca de chupada no pescoço, ainda da outra semana. Após demorado banho (para exorcizar as energias negativas) liga a um amigo dos tempos de infância, companheiro intimorato de andanças por bares, cantorias, danças, risos, despreocupações. Nunca lhe caíra dentro do decote, jamais o pegara olhando-lhe gulosamente a bunda.  

Papo de aranha vai, papo de aranha vem, confessa-lhe o romance... bem... o mal parido caso dos vinte dias. Ele - território conhecido - diz-lhe que tudo que não presta vem de graça, e o que é bom dá trabalho, às vezes de uma vida inteira. Manda-a olhar-se no espelho, dizer o que vê. Ela olha.
- Um farrapo... uma bruxa feia e velha, meu amigo...   
- Eu veria uma linda mulher! Triste e burra, mas, linda! ... Bom, você sabe que amigo de mulher bonita não é irmãozinho, n’é? Quer um colinho, um cafuné?... Quer?  

Ri por fim, condescendente... quer!    

(img: n.kidman - molin rouge - foto cvm/tv - 27/02/2013)

22 de fev de 2013

Flor precária

Caio Martins
Para Márcia Sanchez e Luiz de Miranda.
 















(Valkyrie's Vigil by Edward Robert Hughes) 


Quando, feroz e imortal, rugia
aços massacrados em fúria
de combates porventura confessáveis
amores me foram prêmio fugidio.

E  se aqui, a amar insisto e persevero
às valquírias - caprichosas no refrange
dos que vão morrer em batalha -
é que sei do gosto de meu sangue...

De solertes inimigos depredados
o tive farto, nas lanças mercenárias  
e renuir a batalhas de salvar o gado

leva a verve a sendeiros protelados...
Por um só amor cala-se a espada
à Poesia, flor inatingível por precária.


Categorias, temas e títulos

Seguidores