23 de ago de 2012

ALUAR

Caio Martins

Para Jeanne.
















(img: cvm - nicportman-huble)


A lua, meu amor
torta
corta os céus, mero traço.

Apenumbras...

Em que pese, te percorro a passo
beijo a beijo, impune
me sorves, absolves
e tua volúpia paira instantes
em meus braços.

Luminescências tardias,
imperceptível halo cravam
meus olhos, tua alma,
finas lâminas incertas.

Não era a paixão que querias
nem o amor que eu desejava...

Mas, incontida, ris!
Estilhaças a madrugada
com os cristais de teu riso...
já nada mais preciso
já nada mais importa...  

Em breve, amor, a lua
refringente e oclusa e fria
estará morta.

(scs - 23/08/12)

4 comentários:

  1. "Mas, incontida, ris!
    Estilhaças a madrugada
    com os cristais de teu riso...
    já nada mais preciso
    já nada mais importa..."

    Que verso elevado, Caio!
    Abraço,
    Jorge

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    1. Pois, caro amigo! O ofício de poeta é ingrato... exige pôr no catecismo o que exigiria toda a bíblia. Mas, quando o que se vive em horas vai no verso em segundos, a memória nos premia com sua permanência total. Forte abraço.

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  2. Caio, este é mais um de seus magistrais poemas! Sensual, nas duas acepções da palavra, ele representa o que há de mais elevado (como bem diz o Jorge) no ser humano: o amor, que nada exige, a calma necessária para aquietar o ser amado... Comove pela beleza do conteúdo, por sua sensibilidade e riqueza das palavras.

    Beijos

    Márcia

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    Respostas
    1. Grato, Márcia! Quando o amor se reduz a risos, e brincadeiras de crianças, dá sinais que é pra valer!Beijos.

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Na busca da excelência aprende-se mais com os inimigos que com os amigos. Estes festejam todas nossas besteiras e involuímos. Aqueles, criticam até nossos melhores acertos e nos superamos.

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