17 de mai de 2012

ANJO NEGRO

Caio Martins
 












(img: niko tavernise - portman - cisne negro)

Anjo negro, avassalo
escalo, formo e conformo
teus sentires, teu prazer.

Cubro-te com noite vã
baça e lassa e terçã
lasciva e ímpia e farta.

Mas, partirás de mim, mero
exilado ébrio das trevas
clandestino de teus nichos.

Virá o inferno, luz do dia
que o meu fascínio corrói
e irás lívida e leve e livre...

Eu? Restarei desfeito
borrão imprevisível
entre a alvura dos lençóis...

(scs - 12/05/12)



5 comentários:

  1. a madrugada é um convite nesse lençol de palavras..

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    1. Ester, foram muitas, tantas que nem sei, as madrugadas frias de outono nas quais as palavras, anjos e/ou demônios míticos, insistiram em esperar o nascer do dia. Algumas foram felizes, outras, meros borrões... Abraço, grato pela visita.

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  2. Maravilha de poema, Caio! É denso, intenso e riquíssimo em imagens. Uma beleza de doer no fundo do peito!
    Obrigada pela partilha, meu querido amigo.

    Beijos

    Márcia

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  3. "Eu? Restarei desfeito
    borrão imprevisível
    entre a alvura dos lençóis..." Tenho medo disso, Caio. A solidão que não é só minha, que me engrandece espiritualmente, apavora-me. É a solidão dos aflitos, dos sem mais nada...
    Abração, caríssimo amigo.
    Jorge

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  4. Desfeito, mas certamente feliz. Meu abraço.

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Na busca da excelência aprende-se mais com os inimigos que com os amigos. Estes festejam todas nossas besteiras e involuímos. Aqueles, criticam até nossos melhores acertos e nos superamos.

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