2 de jan de 2012

A ESPERA

Caio Martins

Para Márcia Sanchez Luz e Luiz de Miranda














(img:cmbarba2011vidro)


Te olhas ao espelho,
infinitesimal partícula cósmica:
- Que horror, a consciência do mundo!

Khronos, O Implacável,
comeu tuas façanhas,
as entranhas de teus versos
e não és, Poeta, senão
anti-herói de ti mesmo.

Feneceram-te musas e vestais,
as prostitutas do Templo
envelheceram...
- Que trágico! Que lindas... que loucas eram!

Aminimigos mortos
não tens mais batalhas
as tuas guerras
perderam-se no pó da história
- na morlalha da memória -
a esmo...

Nas tuas retinas estilhaçadas
não mais cabe o mundo;
ao redor ruge o caos
aos cacos.

Estás só!
A solidão, se nem a morte,
atemoriza... (Arre!)medos.

O que corrói
é a espera...


Elis: O Bêbado e a Equilibrista - João Bosco.


10 comentários:

  1. A espera, Caio, é a solidão em dose dupla!

    Excelente!

    Forte abraço

    Mirze

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  2. Ciao Caio,

    Un forte abbraccio anche a te!

    A presto

    Damaride ;)

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  3. Milton Martins2/1/12 14:01

    Caio
    Coisas que feneceram, o medo e a espera...para mim a "terrível" consciência da mortalidade. Lindo poema "melancólico". Abraço. Milton Martins

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  4. Poema forte, intenso e repleto de imagens que retratam a dor da constatação do que somos, a nossa fragilidade perante a vida. Ao mesmo tempo, o épico está presente de forma brilhante, mostrando que a guerra não está perdida. O poeta não precisa se lamentar, porquanto briga e encara a verdade de frente.
    Parabéns, Caio. E obrigada pela dedicatória, que tanto me honra e comove!

    Beijos

    Márcia

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  5. Mirze, se estamos bem conosco mesmos, a solidão é poderoso incentivo à criatividade. E pode transformar essa espera dialética do poema em fatos notáveis da existência.
    Grato por suas palavras e presença.

    Damaride, fico feliz com sua visita! Venha sempre, a casa é sua. Abraços.

    Milton, meu amigo: a referência é essa! Não há que temer a morte nem a solidão, ou lamentar o que se perdeu ou passou, pois o que requer coragem é o desconhecido, o que virá. Daí, meu irmão, a coisa pega na veia... Todavia, consumada a única e definitiva certeza, certamente improvisaremos algo! Abração!

    Márcia, grato por suas palavras, sempre pertinentes: vai ao cerne, sem titubeios. O ato de criar é, em sim, via de regra doloroso, sabe disso.
    Emoções, sentimentos e impressões forçam expressões que nem sempre dominamos, têm vida própria.
    É uma honra homenageá-la, pois a considero uma das poetisas contemporâneas de melhor qualidade.
    Obrigado pelo apoio e cumplicidade. Beijos.

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  6. Espero, na minha envelhecência, poetar com a ponta do cume da alma, esta que não se encerra se poesia existir.
    Parabéns!

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  7. Bonito e bem construído, sem dúvida. Mas não reconheço o autor.
    Quem prega sempre que o problema não e a idade, mas "o excesso de quilometragem", desta vez Caio falou o contrário.

    Abração,
    Jorge

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  8. Rita, certamente assim será. A linguagem cifrada da poesia requer da criancice à velhice, passando pela juventude. E poderá, então, lidar com a consciência do mundo com sabedoria. Obrigado pela visita!

    Jorge Sader: o excesso de quilometragem, exatamente, torna os séculos vividos em frações de segundo. O autor, no caso, só aprecia a correria. Abração. Sucesso com o "A Regra do Jogo".

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  9. Olho o espelho
    e um tic-tac
    aciona a memória
    ...
    parece uma bomba.

    O reflexo
    concâvo
    ou convexo
    coloca pêndulos
    em meus olhos.

    Caio, rabisquei isso hoje e quando vi seu poema me arrepiei toda.
    Você é o cara! Eu sou só uma cara no espelho.

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  10. Cláudia S. Lemos, sou nada disso não... Costumo dizer que sou só um escrivinhador metido a besta... outra cara no espelho.
    Esse tic-tac ao qual se refere é Khronos(alguns dizem Saturno, um dos Titãs), o que devorava os próprios filhos. Não para!
    Abraço, grato por sua presença.

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Na busca da excelência aprende-se mais com os inimigos que com os amigos. Estes festejam todas nossas besteiras e involuímos. Aqueles, criticam até nossos melhores acertos e nos superamos.

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