21 de dez de 2010

NATAL 1987

Caio Martins

À Cristina Lima.












(img: j.foster - divulgação - 2001)

Volto meteórico
da Buenos Aires cafetina
por átimos de tua presença
e não encontro ninguém.
Nada... menina...

Quando, profano e safado
atingido no plexo
recolhi estropiadas asas
em bar inóspito no coração de São Paulo
dormias impune com teu ardor
e Mistérios de teu sexo...

Lá fora havia
hiatos rangentes
de estuporado espasmo,
triste festa tardia.

Ah!, se no teu sono eu,
atrevido, galante,
ectoplasmático
anjo safado, atônito
me materializasse em tua cama...

Acariciaria desvelado
cada de teus poros
e no lamento de teus orgasmos
o natal do dia escancarado
me despedaçaria com sua luz,
anjo profano vitimado
na aura doída de São Paulo.

Natal?
Não, hoje não é mais nada
nenhum dia...

(Casa Rosada - 25/12/1987 - Pensão da Zulmira.)


5 comentários:

  1. Paixões não respeitam lugar, data e mais o que se invente, ou mais talento que tenha o poeta!

    Abraço,
    Jorge

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  2. "...Ah!, se no teu sono eu,
    atrevido, galante,
    ectoplasmático
    anjo safado, atônito
    me materializasse em tua cama..."


    Caio, gosto de ver como se entrega às paixões. Penso que, mais que paixões carnais, existe a paixão pela vida, que te impele a viver intensamente cada instante que lhe é ofertado.

    Parabéns pela beleza do poema!

    Beijos

    Márcia

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  3. Milton Martins22/12/10 18:14

    Caio
    Essas paixões, esses desejos mentais (ou virtuais?) sacodem, mas não se realizam. Nem ectoplasmático. E aí a angustia do irrealizado. Pô estou "filosofando" demais só para dizer que gostei muito do poema. Abraço. Milton Martins

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  4. Caio, um 2011 repleto de inspiração para vc nos brindar c textos como este.

    abraços

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  5. Meu caro Jorge,sobrevive, nesse entrevero, quem respeita a paixão... Cutucar com vara curta não é, realmente, recomendado. Abração, manovéio.

    Márcia, cada instante é tão precioso, que no momento seguinte temos a impressão de ter perdido um compasso da vida... Assim mesmo vamos compondo dela, com paixão, a eterna sinfonia.
    Poucos, todavia, e imateriais, os objetos desse ofício. De aí vem, iluminada, a Poesia. Beijos, minha amiga.

    Grande Milton Martins... É caminhada de mais de meio século, a nossa. Pode filosofar à vontade, a casa é sua, como minha é a honra de tê-lo, há tanto tempo, como amigo. Forte abraço, Mestre Escriba!

    Que alegria vê-la aqui, Paula! É uma honra que muito me envaidece, pelo carinho e respeito que lhe dedico, menina guerreira. Estaremos juntos mais amiúde, neste ano que hoje se inicia. Beijos e muito carinho.

    A todos, um 2011 muito feliz, com muitos sucessos pessoais e profissionais.

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Na busca da excelência aprende-se mais com os inimigos que com os amigos. Estes festejam todas nossas besteiras e involuímos. Aqueles, criticam até nossos melhores acertos e nos superamos.

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