8 de mai de 2009

EULÁLIA


Caio Martins









(img: cvm-eulO34-fractal)

É claro, mulher morena
que me demorei,
tonto
contemplando o agitar de teus seios
movimentos de cio de teus quadris
a reentrância atrevida de teu ventre
tuas coxas perfeitas demais para o momento.

Lá no fundo
(se me deixares conto)
ponto
incandescente de olhos negros
entre um dengo, um palavrão
tua sensualidade agressiva
abria espaços para tua forma de ser
na dor, altiva
no amor uma incógnita
na vida, guerreira
dura chama
que se espalha...

Mas
um carinho e te derretes
um empurrão
e explodes no alarido de mil putas.

E quando entreabres tua boca
úmida de promessas de beijos
quando cantas assim
e teu olhar se abranda
e danças leve, semovente
teu corpo no ritmo perfeito
então, Eulália
teu poeta te percebe
como se fosses uma bailarina
sobre um campo de batalha.

Bar Pão de Queijo - EBID. 14/04/1987-O3:OOh.

5 comentários:

  1. Tanto Eulália como Cecília, revelam o grito do poeta através, não apenas das entrelinhas, mas, das perfeitas e reveladoramente bem escolhidas ilustraçãoes!
    Abração. Pedrão

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  2. Admiro o seu modo de escrever, Caio. Aborda o lado duro e real da vida sem cair da seriedade, um fato difícil. Gostei!

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  3. Tanto nos poemas quanto nas crônicas do Caio o que está sempre presente é a paixão e no caso aberta em Cecilia e oculta no eulalia. As entrelhinhas dizem que mais que um lado duro da vida está a descrição velada de um animado encontro de apaixonados. Se alguém gritou por aí foi com certeza de prazer podem ter certeza.

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  4. Eu também admiro muito seu estilo e gostei desse novo poema pelas "reentrâncias" que ele sugere, o conflito e a contradição... e o amor do poeta...

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    1. Meu caro Milton, o poema na verdade é de 1987, dos tempos em que trabalhava nas "Páginas Amarelas", na av. Liberdade. A Musa, além de belíssima mulher, era morena de sensualidade ímpar e caráter forte. Ante a música e a vida era divina bailarina. Eu era um campo de batalha...
      Forte abraço, grato por suas palavras.

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Na busca da excelência aprende-se mais com os inimigos que com os amigos. Estes festejam todas nossas besteiras e involuímos. Aqueles, criticam até nossos melhores acertos e nos superamos.

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