29 de mai de 2009

CANÇÃO ACRE PARA LILIANE


Caio Martins
02/02/1968 - Largo de S. Francisco.









(img: cvmO9 - jailson james -XI/O8.)


Ainda eu era menino
botar na linha quiseram.

Não deu certo...
ganhei sermão e pancada.
Desistiram, deram pra rezar.

Sei não, Liliane
mas rezaram errado
nenhum deus me cumprimenta.

Num canto estás
quieta e calada
nua.
(Meu deus, que vergonha!)

Rimos,
não nos deciframos.
(Para quê? Alguém
fugiria com os mistérios...)

Liliane
soltaram a canalha nas ruas
ouvidos secretos soldados
gente rezando errado
com medo de gente nua.

Te dedico meu segredo:
o deus que nos espreita
feroz, violento, forjado
meteria bala de aço
em meu peito aberto
truncado.

Uma bala de chumbo
uma bala de ouro
uma bala...

O resto, Liliane
está guardado na impaciência
de meus atos libertários
armas e livros clandestinos
e nas estórias em que eu,
menino,
alumbrado por tua nudez
desconcertado
sonhava .

2 comentários:

  1. O sonho e a realidade que acompanham todos nós, na caneta de Caio, brilhante como sempre. Basta ver a construção.
    Abraços, Venâncio.

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  2. As Arcadas dissolvidas ao fundo honram libertários e poetas. A história registrou suas passagens impregnadas nas pedras que testemunharam suas lutas, seus amores e os reverenciam. O melhor de várias gerações por ali passou, inclusive a nossa. O demais perdeu-se no tempo e não se registrou na memória. Canção Acre para Liliane é um canto de luta pela liberdade escrito por quem se colocou entre o vidro, a bela e a bala...

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Na busca da excelência aprende-se mais com os inimigos que com os amigos. Estes festejam todas nossas besteiras e involuímos. Aqueles, criticam até nossos melhores acertos e nos superamos.

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